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A Alquimia das Cores - Parte 1

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A Alquimia das CoresO objeto de discussão desse "curso" é a obtenção de cores necessárias para o nosso hobby. Para quem tem acesso (e dinheiro) para adquirir tintas apropriadas para o hobby, a vida pode ser um pouco mais simples. Mas a maioria dos modelistas não consegue essas maravilhas, ou por morarem em cidades sem lojas de plastimodelismo, ou simplesmente por não poderem comprar em sites. De qualquer forma, é sempre bom sabermos algumas “teorias”, caso a necessidade por cores mais específicas comecem a ser problemas. 

Primeiro, uma apresentação pessoal. Eu, quando adolescente, me interessei por artes plásticas. Pintei quadros (óleo) e até cheguei a estudar Desenho Industrial, na UnB (Universidade de Brasília). Isso me deu, acima de tudo, experiências que uso no nosso Hobby. Me considero relativamente novo no plastimodelismo. Como a maioria aqui, montei muita coisa quando era moleque. Recentemente, encontrei um amigo de infância que não via há quase 20 anos. E qual foi a pergunta que ele me fez? "Você ainda monta aqueles aviõesinhos?".

Na época (década de 70), tínhamos a Revell dominando nosso mercado. A Kiko, empresa que começou a trazer os kits da Revell para o Brasil, chegou, depois de um tempo, a fabricar esses kits aqui. Achávamos muita coisa e, principalmente, barata. Infelizmente, as coisas começaram a mudar. A Kiko saiu do mercado. Veio a adolescência, as namoradas, o rock, e o plastimodelismo ficou só na lembrança (com leves "recaídas")!

No passado (2007), ao pesquisar sobre modelagem em argila, encontrei o fórum Plastimodelismo.org. Pronto, a paixão pelos modelos havia voltado.

Por isso, me considero novo no hobby. Montar kits com relativo sucesso (para mim), é algo que só comecei no final do ano passado. Mas algumas dificuldades apareceram, claro. A primeira delas foi encontrar tintas para trabalhar. No meio da década de 90, enquanto entrava na faculdade, ainda havia várias lojas de plastimodelismo em Brasília, onde eu encontrava modelos da Tamiya, Hasegawa, Revell Germany e, principalmente, os acessórios para o hobby. As tão desejadas tintas acrílicas Tamiya eram facilmente encontradas por aqui. Existe até um boato (ainda não consegui confirmar isso) de que a Tamiya chegou a montar uma pequena fábrica aqui no Brasil, mas o projeto não foi pra frente. Dessa época, guardei duas sucatas que comprei para treinar: um Apache, da Hasegawa, e um F-16, da mesma marca.

Como as coisas mudaram muito da década de 90 para cá, tive que me adaptar ao que estava ao meu alcance. Comecei a usar tintas acrílicas para artesanato. Mais especificamente as Decorfix. Mas aqui não vou falar de marcas de tintas nem de suas diferenças. A idéia é apresentar o uso de tintas (de variadas composições) para "fazermos" as cores que precisamos. Não vou apresentar "receitas" de cores. Estas podem ser facilmente encontradas na internet, com um pouco de paciência. Quero mostrar a "física" contida na composição de uma cor. Como ela funciona nos materiais que usamos. Como podemos, por exemplo, chegar na cor Tan sem ter que comprar um vidro dela que, talvez, usemos apenas uma vez.

Claro que, para quem te acesso a materiais importados, é fácil resolver estes problemas. Mas a importação de tintas é relativamente complicada. Conheço histórias de pessoas que compraram tintas em sites e que, quando a encomenda chegou no Brasil, a Vigilância Sanitária confiscou. Frustração total!

Como vai funcionar este curso?

Minha idéia é passar, primeiramente, um pouco de teoria. Depois partimos para a prática. Espero conseguir ilustrar bem o que está sendo dito.

Volto a falar: não sou um "mestre". Por isso, o que digo não é uma verdade absoluta. Claro que busco sempre referências em livros, para não falar besteiras. Se alguém tiver uma correção ou complemento para adicionar, por favor, não se acanhe.

Aula 1 - Teoria das Cores

Em qualquer tipo de arte (e nosso hobby se enquadra aqui), a cor é um dos elementos mais importantes. A cor nos “diz” o que realmente estamos vendo. Ao viajarmos de carro, por exemplo, passamos por diversas paisagens. Plantações, pastos, cidades e parques são apenas umas poucas mudanças que notamos pela janela. E ao olharmos para as paisagens, notamos a distância entre o que está logo na beirada da pista e o que está perto do horizonte. Pode parecer um comentário sem sentido, esse, mas se prestarmos atenção, veremos que o que nos dá essa noção de distância é a variação de tonalidades entre as imagens mais perto e as mais longe. A isso damos o nome de “perspectiva tonal”. O que está mais perto de nós tem uma cor mais brilhante e viva, o que está mais longe nos parece ter uma cor mais difusa, “acinzentada”. Evidentemente, outros parâmetros nos ajudam a perceber a distância entre os objetos, mas, sem dúvida, a “perspectiva tonal” tem enorme importância. Imaginem se o “verde” do alto de um morro fosse do mesmo brilho e tom que o “verde” que está aos nossos pés? Seria bastante interessante ver esta situação. Com certeza, o transeunte correria um sério risco de bater com a cara num obstáculo!

 

Teoria da Cor
 
 
Para darmos prosseguimento, vamos deixar claro algumas diferenças entre a cor-energia e a cor-matéria. Como todo mundo aqui já aprendeu no colégio (se esqueceu, não deveria), a cor que vemos vem da luz refletida nos objetos que nos rodeiam. Lembram das aulas de física, onde tínhamos aquela imagem do prisma sendo transpassado por um feixe de luz? Virou até capa de disco de banda de rock! A luz, nesse exemplo, se divide nas cores que podemos encontrar no arco-íris. Vale lembrar: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul (anil) e violeta. Essas são as que vemos. Ainda existem outras que nossos olhos não são capazes de “ver”. E, depois de passarmos o espectro da luz, depois de dividida nestas 7 (a título de exemplificação), teremos novamente o espectro branco.
 
Luz incidindo num prisma
 

E para quê esse “blá blá blá” todo? Para que entendam que a cor que vemos, nada mais é que o reflexo do espectro branco da luz que incide sobre ele. E onde isso se aplica no nosso hobby? Imagino que todos aqui já partiram para a nossa grande ferramenta de referências (a internet) em busca de fotos dos modelos que estamos montando. E freqüentemente encontramos fotos do mesmo objeto de estudo com cores diferentes. Isso se explica porque a luz utilizada para a foto era diferente.

Explico: se eu tirar uma foto de um modelo que fiz usando uma lâmpada incandescente, a foto, provavelmente, ficará “amarelada”. Isso porque a luz emitida por essas lâmpadas é de fato “amarela”. Ao usarmos uma iluminação feita com lâmpadas fluorescentes, de luz branca, portanto, a cor será mais parecida com a que realmente o modelo foi pintado. Pensem nisso antes de criticar a pintura de um kit visto pelo computador!

Isso quer dizer que podemos usar qualquer cor para pintarmos nossos modelos? Se você for um mestre em iluminação, com certeza a resposta é sim!

Mas, e se mostrarmos nossos kits em uma exposição, ou para amigos, em casa mesmo? Aí a coisa muda de figura! Por isso usamos nomes e números para encontrarmos as cores que precisamos para nossas montagens.

Mas ainda tem um outro fator que influencia muito no que vemos. É o próprio material em que a tinta é aplicada. Um Azul-Ultramar (não se preocupe com nomes, agora) pode ficar mais brilhante se aplicado numa superfície lisa do que se aplicado em outra mais porosa, ou fosca. Isso, aliás, explica outra curiosidade sobre as cores, nem sempre a mistura de amarelo com azul, por exemplo, dá o verde que esperamos.

Voltemos à teoria. Já repararam que os brinquedos de um playground são, normalmente, pintados de amarelo, azul e vermelho? Por que? Alguns engraçadinhos podem responder que é para diferenciar “meninos” “de meninas” e de... Deixa pra lá! Na verdade, essas cores não foram escolhidas ao acaso. O amarelo, o azul e o vermelho são o que chamamos de “cores primárias”. Com tintas destas 3 cores é possível, literalmente, fazermos qualquer cor que desejarmos. Da mistura delas, conseguimos obter todas as outras cores. Todo mundo aqui sabe que se misturarmos azul com vermelho temos violeta, certo?

Faça um pequeno exercício em casa: arrume um jogo de lápis-de-cor (desses comuns, de escola) e façam 3 círculos, de forma a ter um triângulo, com um espaço entre os círculos. Agora pinte cada um com uma cor-primária. Agora desenhe mais 3 círculos, um em cada espaço vago. Pinte estes novos círculos com as duas cores vizinhas (primárias). Pronto, agora você tem as cores secundárias. Se não fez nada errado, terá: entre o amarelo e o azul, o verde; entre o azul e o vermelho, o violeta; e entre o vermelho e o amarelo, o laranja.

Essa brincadeira pode durar para sempre. Se fosse possível continuar com essa brincadeira para sempre, teríamos todas as cores possíveis.

 

Círculo cromático

 

 Com o que foi explicado acima, agora, poderemos notar que o que vemos no nosso ambiente, e na natureza, raramente são as cores primárias. O que vemos à nossa volta são as cores-terciárias (vermelho-laranja, amarelo-verde e azul-violeta, por exemplo). “Cara, você ta complicando!”, você pode falar. Não estou, não! Tenha paciência que vamos chegar nas tão sonhadas camuflagens e terrosas, por exemplo.

 
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